quinta-feira, 27 de abril de 2017

Escolhas


Sei que demorei algum tempo até chegar aqui, mas este momento tinha que chegar cedo ou tarde, não é?! Como todos dizem o mundo não para de girar e a vida tem que continuar.
Confesso que ainda dói um pouco em mim, mas depois de chegar ao fim do poço eu percebi que só tinha duas opções, ou tentava escalar até a saída ou deixava aquilo me consumir e ai só Deus sabe o que aconteceria. 

É horrível admitir isso, mas foi por sua causa que eu  cheguei a este ponto. Juro que tentei por quatro longos meses me convencer de que nada disso era sua culpa, mas a verdade é que boa parte disto é culpa sua. Você tomou de mim o pouco que ainda restava da inocência e da esperança de que as pessoas fossem sim boas e incapazes de praticar tal ato.

Mas você foi não é? Não pense que estou feliz por estar despejando toda essa culpa em cima de você, pois não estou. A ferida não cicatrizou totalmente, e eu sempre preferi culpar a mim mesma do que fazer isso com os outros, sempre preferi magoar a mim mesma do que aos outros.

 Eu nunca quis magoar você meu amor, nunca quis nada disso, mas aqui estamos nós. 

 Você nunca vai ler isto, mas é exatamente o propósito deste blog, despejar tudo o que eu sinto sem que ninguém leia, pelo menos ninguém que eu conheça. Sei que algumas pessoas vão acabar achando esse blog no google, no meio de alguma pesquisa, mas o importante é que nem você e nem ninguém que eu citar aqui leia. Eu não suportaria magoar ninguém, nem mesmo você. 

 O ponto ao qual estou tentando chegar é que eu escolhi tentar escalar o poço em que estou presa, só que para isso eu tive que fazer uma coisa antes. Eu tive que morrer. 

 Não, eu não me matei e nem tentei. Quando eu digo que morri digo no sentido de que tive que deixar aquela menina que você conheceu ir embora, aquela que amava você e enfrentava o mundo por amor. Aquela menina que acreditava nas pessoas e principalmente no amor de um homem. Aquela menina esta morta agora, ou quase, tem um pouquinho dela tentando resistir, mas não se preocupe, estou dando um jeito nela. 

Estou me certificando de que ela não sobreviva, ela não pode ficar, não depois de conhecer você. Foi uma decisão difícil essa que tomei, mas percebi que se continuasse me recusando a parar de te amar, se continuasse a me recusar a deixar aquela menina ingenua morrer, seria o meu fim. E ninguém merece acabar assim, eu não mereço acabar assim, 
E é por isso, que quando eu acabar o que estou fazendo, tudo o que sentirei por você é nojo, ou talvez uma grande indiferença, ou quem sabe ... nada. Quem sabe quando eu terminar isto eu não sinta mais nada ao lembrar seu nome.

 Tudo neste texto parece ser sobre você não é?! Talvez a maior parte seja mesmo, mas uma pequena porcentagem deste texto é sobre mim, sobre quem eu era, a menina que morreu, e sobre quem eu sou e serei daqui pra frente. É sobre como eu serei a pessoa que sempre invejei em outras mulheres, mais desprendida dessa ideia de encontrar um amor, livre desse pensamento de que nunca poderia ser feliz sozinha, e acima de tudo, sem a ingenuidade de acreditar nas pessoas. 

 Essa parte eu devo totalmente a você, nunca mais deixarei homem nenhum se aproximar de mim do jeito que você se aproximou. Nunca mais deixarei homem nenhum tocar em mim do jeito que você tocou. E nunca, nunca mais amarei um homem como amei você. 

 A vida é feita de escolhas, e eu escolhi te deixar ir. Junto com a menina que um dia eu fui. 

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